Você é o sapo na panela

Instagram, Twitter, Facebook, Google e Youtube aumentaram perigosamente o controle da internet.

Reclamar do fim dos likes parece meio tempestade no copo d’água, né? Não é bem assim. Os muitos movimentos recentes de várias redes sociais diferentes, como o Instagram, são muito preocupantes e é essa reflexão que quero trazer para você.

Instagram sucumbiu a pressão

Nas últimas horas, muito além dos likes, o Instagram expurgou de sua plataforma inúmeras contas de “memes”, alegando que elas infringiram seus “termos de uso”, mesmo sem explicar quais. Há usuários que perderam de 30 a 40 milhões de seguidores, fora as contas bloqueadas, nas últimas 24 horas.

É insano.

Sob o pretexto do “anti-bullying”, a liberdade de expressão agoniza nas grandes redes sociais, como podemos ver o novo controle de comentários do Instagram, que inclusive já rendeu ganchos de contas de comediantes.

Sobre o fim dos likes, na minha opinião, isso aumenta o controle do Instagram sobre sua audiência. Além disso, acaba obrigando os anunciantes a sair da timeline e ir para os Stories. Outro prejuízo imediato é o fim da verificação rápida de Likes x Seguidores que te permitia checar o pulso da autoridade/veracidade de cada perfil.

Lembre-se, quanto menor a transparência, maior o controle da rede sobre você. Isso significa que os “creators” também ficam ainda mais reféns de regras cinza e cartilhas de comportamento, temendo banimentos ou redução arbitrário de alcance, maculando a mensagem e sua liberdade.

Além disso, você mesmo deixa, sem sua vontade, de ver com a frequência que gostaria os perfis que você mesmo escolheu seguir. Esse problema não é exclusivo do Instagram. Ele perpassa pelo Twitter, entre outros. Falarei mais a respeito.

Facebook, o patinho feio que escancarou o caminho da censura na internet

Utilizando-se da plataforma “desinformação”, “fake news” e “discurso de ódio”, o Facebook seguiu caminho semelhante banindo dezenas de milhares de fanpages no Brasil e perfis de sua rede social nos últimos anos.

Só que o Facebook foi ainda mais longe. Ele interferiu diretamente na votação sobre o aborto na Irlanda, impedindo qualquer pessoa que era “pró-vida” de fazer anúncios a respeito.

Os maus lençóis do Facebook só pioram, afinal de contas, o sem-vergonha acertou um acordo de 5 bilhões de dólares para encerrar um processo contra suas continuas violações de privacidade.

Além de ouvir, ler e ceder a outras empresas (como Netflix e Spotify) as nossas conversas privadas no Messenger, permitir que dados fossem coletados pelo Cambridge Analytica e outros apps, usar nossas mensagens do Whatsapp para nos entregar ads também no Instagram, o Facebook também segue sua cruzada no chamado “politicamente correto”, banindo contas por posts de 10 anos atrás, por exemplo.

Vale lembrar também que um de seus co-fundadores foi importante apoiador da Hillary Clinton nas últimas eleições com módicos 20 milhões de dólares em doações de campanha.

Não é de se estranhar, portanto, tanto cerceamento de liberdade e, igualmente, declínio que o Facebook vem sofrendo nos últimos anos.

Twitter, o progressista assumido mais implacável de todos

Seguindo tendências semelhantes, o Twitter anunciou que diminuirá o alcance de publicações de políticos segundo seus próprios termos e avaliação.

Não obstante, o próprio Twitter tem a pior fama de bloqueios e perda de seguidores misteriosas, shadow ban, entre outras formas de cercear contas que não vão contra seus termos de uso, mas contra suas crenças e ideologias pessoais.

Descubra aqui se a sua ou uma conta sofreu Shadow Ban no Twitter ;)

Vale destacar que o CEO do Twitter, em entrevista para CNN, assumiu que possui viés de esquerda, apesar de negar que isso influencie as decisões da rede.

Porém, os próprios funcionários do Twitter que se dizem conservadores tem medo de expressar suas opiniões por conta da pressão ideológica que a empresa e funcionários progressistas impõe na empresa.

Além disso, a novidade do Twitter é que você poderá ocultar respostas a seus tweets. Uma espécie de moderação de respostas mesmo.

Assim, se por exemplo, você falar algo errado sobre um fato ou não quiser ser contradito, você mesmo poderá ocultar qualquer resposta, impedindo igualmente que outros seguidores vejam esses tweets moderados em especifico.

Youtube também contra o “discurso de ódio”

O Youtube, que também disse que está elevando sua “briga” contra o “discurso de ódio”, já é velho conhecido pelas desmonetizações, banimentos e polêmicas remoções de vídeos.

Um exemplo curioso ocorrido recentemente, sob o pretexto de apagar vídeos sobre o nazismo de sua rede, o Youtube, equivocadamente, apagou vídeos e documentários de história que eram utilizados para educar as pessoas a respeito do tema… por “engano”.

Google, ahh, o Google… faz igual ou pior

O Google mostra os resultados de busca que bem entender. Por mais que saibamos alguma coisa relevante sobre sua SERP, há muitos indícios de manipulação descarada.

Uma delas, clássica, se deu nas eleições Trump x Clinton, em 2016. Como podemos ver, o Google escondeu no seu auto-complete, de propósito, complementos de busca potencialmente negativos a imagem de Hillary Clinton (sim, ela de novo!), representante dos Democratas, o partido de esquerda americano.

Nas últimas semanas, uma nova e importante polêmica surgiu, onde uma funcionária do Google afirmou que a empresa está cuidando para que outra “situação Trump” (Sim! Ele de novo! Esses gringos não superam essas eleições passadas!!!) não aconteça novamente, dizendo abertamente que há e haverá influência direta da empresa nos seus resultados de busca.

Barbas de molho, afinal há eleições presidenciais lá e municipais aqui em 2020.

E os outros? Bem, os outros… Também

Posso passar o resto da minha vida mostrando outras “tendências” do tipo. A App Store da Apple, por exemplo, vem sendo continuamente acusada de manipular os resultados de busca dela para beneficiar seus próprios apps. Ela, claro, nega.

Você já está influenciado por essas mudanças

Quem controla o que você pode consumir (ver, ouvir, acompanhar, saber mais a respeito), controla, em parte significativa, a construção da sua opinião, gostos e, finalmente, seu comportamento.

Querendo ou não, já estamos sofrendo forçadamente as consequências da arbitrariedade crescente das redes sociais e mecanismos de busca.

Um de seus frutos é a grande polarização política nos EUA e no mundo que, por exemplo, teve seu início numa “falha” dos próprios algoritmos da timeline do Facebook.

Resumo da ópera: Em algum grau, seja qual ele for, você já é/está moldado, conformado e direcionado a pensar, falar e agir como essas redes desejam e impõem sutilmente (ou não). É inevitável e, quanto mais tempo você gasta nelas, maior o seu molde segundo os padrões deles.

Você é o sapo na panela

Eu gosto muito desse exemplo do sapo, não sei se você já ouviu falar. Pra mim, as redes sociais chegaram num ponto de controle das pessoas tão grande que podemos nos comparar a sapos dentro de uma panela de água colocada ao fogo para ferver.

O sapo fica lá de boa, mesmo com a água esquentando porque ele não consegue perceber que a temperatura da água está aumentando drasticamente. E o problema é justamente que essa água ferve até um ponto que o próprio sapo, sem sequer perceber… morre lá dentro.

Não se esqueça. Nós somos o sapo e a panela com água fervendo são as redes sociais. Posso te garantir que essa água já está bem quente ¯\_(ツ)_/¯

PS: Não faça esse experimento em casa.

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E aí, o quão deprimido você está?

O seu consumo de Instagram e outras redes sociais está deteriorando sua saúde mental.

O uso contínuo de redes sociais contribui diretamente para o aumento da ansiedade, depressão, piora na qualidade do sono e deterioração da saúde mental das pessoas.

Além desses dados alarmantes, o volume de falsidade que passa na sua timeline (e vida) todos os dias cresce ao ponto de, por exemplo, 8 de 9 influenciadores fitness darem dicas pouco confiáveis (ou profundamente questionáveis) sobre saúde, segundo estudo da Universidade de Glasgow.

Seja no LinkedIn, a rede social mais chata e repleta de lacradores corporativos do momento, seja no Twitter, a rede onde as pessoas soltam seus piores demônios, seja no Instagram, onde o mundo de todos é perfeito ou até mesmo no morto-vivo Facebook, onde só a sua tia continua postando fotos de bom dia, o bombardeio do “curso que vai mudar a sua vida (agora vai!)”, dos “rolês perfeitos” e da “vida do arco-íris mágico” é incansável e isso provavelmente está te fazendo bastante mal.

Ok, mas como vencer essa batalha? Como não ser tão mal influenciado por esse monte de “falsianes”? Como não deixar de ser eu mesmo em meio a isso tudo?

Bom, é justamente sobre esses “comos” que eu quero te convidar a refletir.


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Ampliando os números alarmantes

Várias pesquisas mostram os muitos males que as redes sociais são capazes de acometer contra nossas vidas. Assim como qualquer vício, não percebemos os desdobramentos dessa nocividade.

Entre os jovens, indicadores de depressão saltaram 33% entre 2010 e 2015. No mesmo período, a taxa de suicídio no mesmo grupo, mas de mulheres, saltou assustadores 65%.

O aumento dos sintomas depressivos estão correlacionados com a adoção dos smartphones e seus respectivos períodos, inclusive se comparados ano a ano, segundo o autor deste estudo da State University de San Diego.

Ansiedade e Depressão: Uma pesquisa sugere que jovens que são heavy users de redes sociais, ou seja, mais de duas horas diárias somadas em sites como Facebook, Twitter, Instagram e afins, são mais propensos a apresentar saúde mental precária, incluindo angústia mental e outros sintomas de ansiedade e depressão.

Sono: O sono e a saúde mental estão intimamente conectados. Saúde mental precária pode culminar em uma baixa qualidade do sono, que por sua vez pode desencadear outros estados de precariedade da saúde mental. Problemas com o sono estão relacionados a problemas físicos e mentais em adultos, incluindo pressão alta, diabetes, obesidade, taquicardia, AVC e depressão.

FOMO (Fear Of Missing Out): FOMO é caracterizado pela necessidade de estar constantemente conectado com aquilo que outras pessoas estão fazendo para não perder nenhum momento. FOMO está associado com baixa auto estima e baixa satisfação com a vida.

Movimento de Manada: Nós aprendemos novos hábitos copiando a prática que vemos outras pessoas fazerem. Quando vemos várias pessoas fazendo a mesma coisa, entendemos que, provavelmente, fazer o mesmo é o certo a fazer. Porém, quando ficamos excessivamente imersos nas redes sociais, tendemos a copiar o comportamento daquelas pessoas as quais seguimos e, partindo do princípio que muito do que vemos é apenas um verniz bonito e ao menos minimamente questionável, passamos a sujeitar nosso aprendizado a uma montanha de coisas e ações pouco críveis, viáveis ou até mesmo sustentáveis, danificando nossa saúde em vários âmbitos diferentes.

Leia mais sobre redes sociais e depressão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

O que eu tenho buscado fazer para contornar os problemas causados pelas redes sociais e afins

  • Não me importar se estão falando mal de mim. Como dizem por aí, não existe publicidade negativa e sim a maneira com a qual você lida com essa publicidade;

  • Não estou preocupado em agradar a todos. Isso é impossível e meu foco é sempre fazer o que for necessário e não o que agrade fulano e ciclano;

  • Parei de tomar decisões baseadas nas opiniões medíocres e superficiais dos outros. Eu acabava, em muitos momentos, completamente refém das opiniões superficiais, prematuras e sem qualquer embasamento mínimo que algum curioso de plantão aparecia para dar. Eu ouço pessoas de confiança, estudo, mas a decisão é minha, afinal de contas eu quem lidará com as consequências dela;

  • Eu não sou perfeito e aceito isso não tendo qualquer compromisso com meus erros. Pelo contrário, busco consertá-los diligentemente;

  • O mundo e a vida não vão parar por minha causa. Então eu também não posso parar. Levanto a cabeça e sigo em frente enquanto um novo amanhecer surgir sobre mim.

Além dessas disposições mentais, também tenho feito outras coisas mais práticas, como:

  • Diminui o uso do computador em casa (2 ou 3 vezes na semana eu deixo ele no escritório) e tento, constantemente, diminuir o uso do smartphone;

  • Desinstalei Facebook, Twitter e Telegram do meu telefone e escondi o app do Whatsapp (fica mais difícil ver se tem notificações – aquela bolinha vermelha);

  • Comprei um Apple Watch (para correr) e “graças a ele” diminui o uso do meu smartphone em mais de 1 hora diária;

  • Comecei a me exercitar regularmente. Ano passado corri 1.000 quilômetros e esse ano já foram 350km.

Fazendo (ou buscando alcançar) os itens que citei aqui em cima me levaram para a melhor qualidade de vida que eu tenho memória.

Alcancei também os melhores resultados de trabalho, uma qualidade de vida muito maior com minha família e uma satisfação substancialmente maior comigo mesmo como eu não experimentava há muitos anos.

Nada disso é receita e eu não estou aqui para ser seu guru ou influenciador “fitness”. Eu apenas achei justo compartilhar os dados alarmantes e o que eu tenho feito para combatê-los na minha realidade particular.

Cada um de nós precisa encontrar os mecanismos para encontrar o nosso próprio equilíbrio. Minha expectativa é que minha experiência possa ajudar você a encontrar o seu.


Eu errei com força, com sobra e de forma retumbante. Entenda:

Eu escrevi uma newsletter muito animado com a evolução do Brasil e como temos nos aproximado do Vale do Silício.

Bem, eu estou absolutamente equivocado em praticamente todo e qualquer sentido e essa leitura que vou indicar comprova isso de inúmeras formas.

Ok, torcer pelo Brasil, querer que ele esteja despontando é uma coisa. Os fatos, outra.

Vale ressaltar que eu ainda acredito que hoje, devido a tecnologia, qualquer time brasileiro é capaz de produzir um produto global de ponta.

Fora esse aspecto específico, te convido a essa leitura que vai te surpreender muito (ou não tanto quanto me surpreendeu).

Ler o texto que me fez cair na real »


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Feedbacks?

Queria saber a sua opinião sobre esse formato de e-mails. É só responder esse e-mail que eu recebo suas palavras diretamente. Sinceridade total, ok?

Matt Montenegro

Você vai cair do patinete

Entre quedas, entregas e furtos: O incrível universo da (micro)mobilidade com tempero brasileiro.

As calçadas estão lotadas de patinetes, bicicletas e até monociclos elétricos. A vertical de micromobilidade chegou rápido ao Brasil e ainda está longe do seu ápice.

Como ainda tem muito “patinete para passar debaixo dessa ponte”, separei alguns temas e muitas, muitas referências para você.

Antes de continuarmos, me segue lá no Instagram ;)

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São +10.000 leituras no total. Perdeu algum?

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O incrível mercado da micromobilidade

Os patinetes, bicicletas e afins são fantásticos para os primeiro ou últimos quilômetros do deslocamento diário. Isso é o que chamamos de micromobilidade.

É um meio de transporte rápido, prático, te ajuda a fugir do trânsito caótico das grandes capitais mundiais e, de quebra, produz uma concorrência a mais para os caducos modais de transporte dos quais tanto reclamamos.

Quando falamos de pequenas distâncias, esse tipo de modelo de transporte é realmente fantástico e praticamente imbatível.

Um “pulo” importante

Recentemente vimos um grande player nascer, crescer e logo ser comprado pelo Uber: a JUMP. As bicicletas elétricas laranjinhas (ou vermelhas) deram o que falar e, rapidamente, foram adquiridas por algo em torno de U$200 milhões.

Paralelamente e “atrasada”, a Lyft comprou a operação do GoBike, sistema de compartilhamento de bicicletas da Ford.

Enquanto as grandes dos aplicativos de mobilidade focaram primeiro nas bicicletas, um “enxame” de patinetes elétricos começou a surgir.

Lime ($2.4bi valuation, $310mi último investimento), Bird ($2bi valuation, $300mi de investimento), agora a Skip ($100mi de investimento em dezembro) e o número de novas empresas no ramo só cresce.

Além de todas essas gigantes, temos a Scoot correndo por fora e com um modelo um pouco diferente (que vai além dos patinetes), que é com motinhos mesmo (e patinetes em outras cidades fora do US).

Falando de Brasil, as mais relevantes são Yellow (R$30mi + $63mi em investimentos) e a Grin ($45mi em investimentos e que fundiu primeiro com a Ride), que inclusive se fundiram.

As importantes preocupações

Além dos preços que ainda são salgados, os patinetes, no seu início, sofreram muito com a maldade das pessoas. Você pode encontrar facilmente diversas fotos e reportagens sobre patinetes lançados ao mar (em BH, bikes no córrego), por exemplo.

Rapidamente, serviços como JUMP e Skip adicionaram um cadeado em seus equipamentos para você prender tanto o patinete quanto a bicicleta a um poste ou “estacionamento” próprio.

Agora, quem dera estes fossem os únicos desdobramentos dessa novidade do nosso dia-a-dia. Tem mais:

Ladrões sobre rodas

A criatividade da bandidagem impressiona. Até os patinetes entraram na jogada e agora também são usados para prática de furtos. Um problema sério que nos empurra para um caminho ruim de regulação.

O espírito de motoboy

Eu não tenho certeza se há parceria entre os entregadores da Rappi com a Grin. Digo isso porque vejo com alguma frequência entregadores usando patinetes para entregas.

Bem, aquele baú gigante nas costas, numa ciclovia (na contramão, na calçada, etc), com um bípede com espírito de motoboy só pode dar errado. Atropelamentos, empurrões, desequilíbrios e, bem, acidentes.

Atropeladores de velhinhas

Patinetes são largados em canteiros, cruzamentos, no meio das calçadas, em cima das guias para cegos, etc. É uma loucura.

Ok que o brasileiro tem um plus na falta de noção, mas isso também ocorre nas demais cidades ao redor do mundo como Austin (com o SXSW), que está aí para nos mostrar o quão maluca as coisas podem chegar.

Perdendo até os dentes

Como bons brasileiros que somos, adoramos andar na contramão, furar sinais, ultrapassar pela direita, etc.

Essa falta de educação e noção se reflete no uso dos patinetes e bicicletas e, por conta disso, as vítimas de atropelamento por e de patinetes cresceu como foguete.

Sem contar as quedas, perda de dentes e traumas na cabeça.

Isso nos joga para dentro de uma draga chamada política. E isso é MUITO negativo.

Burocracia? Quero!

A cidade de São Paulo, aquela que não aguenta ver uma burocracia e já quer ir logo aplicando em sua “cidade linda”, já se pronunciou com regras provisórias que passarão a valer em 15 dias. Algumas delas são:

  • Capacete obrigatório;

  • Não poder usar nas calçadas;

  • Uso apenas em ciclovias/ciclofaixas; ou

  • Circulação em vias de até 40km/h;

  • Limite de velocidade a 20km/h.

Um ponto alarmante é que as multas serão enviadas para as empresas e repassadas aos usuários. Um prato cheio para multas falsas, que além do capacete, são uma clara tentativa de inviabilizar o serviço na cidade.


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O momento que vivemos é bom, mas ainda é ruim ao mesmo tempo

Ao mesmo tempo que sou consumido de ansiedade pelos avanços incríveis, outros pontos ainda são preocupantes.

Uber e Lyft, as mais relevantes empresas de compartilhamento de transportes (excluindo a China) seguem sangrando, e muito.

A Lyft conseguiu a façanha de, apesar de dobrar o faturamento, quintuplicar as suas perdas (-$1.13bi). Ainda sim, seus executivos dizem que esse sangramento vai parar logo, apesar de adiantar que as perdas em 2019 serão ainda mais expressivas ಠ_ಠ

O IPO (de $120bi) esperado do Uber não ocorreu. Apesar de receber o título de um dos maiores IPOs de empresas de tecnologia da história, o resultado ficou a $38bi de distância do esperado.

Barbas de molho.

Sinal de alerta ligado

O mercado é incrível, o futuro deslumbrante. Ainda sim, algumas lições são muito duras. Na China, a gigante de compartilhamento de bicicletas amarelas Ofo enfrenta seríssimos problemas e o motivo é incrivelmente simples:

Esse mercado ainda não é comprovadamente viável do ponto de vista financeiro.

Isso significa que, apesar de excitante e dar sabor de futuro, as grandes empresas focadas em negócios compartilhados seguem sofrendo profundos sangramentos de caixa (em parte pela alta competitividade) e com isso uma dificuldade permanente para chegar perto de alguma lucratividade.

Apertem os cintos, o piloto sumiu

O mundo da mobilidade compartilhada vai sofrer um dos seus maiores impactos, até então, com o início do serviço autônomo da Tesla.

Anunciado pelo próprio Elon Musk, o objetivo é colocar na rua cerca de 1 milhão de Tesla já em 2020, ou seja, ano que vem. Tá muito perto, bicho.

Se os carros autônomos de Musk realmente funcionarem bem, eu não quero nem pensar no que vai acontecer com as centenas de milhares de motoristas de Uber, Lyft, Cabify, 99, etc; nos próximos 2-3 anos.

CAOS talvez seja uma palavra deveras pequena para descrever o que está para acontecer antes da próxima Copa do Mundo ¯\_(ツ)_/¯

Uma pitada extra de “pavor” no mesmo cenário é a própria Tesla com seus caminhões autônomos (a Mercedes também tem seus exemplares previstos para 2025). Ao menos, esses não fazem greve(!).

Muita coisa vai mudar em pouquíssimos anos. Melhor apertarmos os cintos.


Leituras da semana

“Crescimento sustentável e é o tipo de crescimento que pode ser mantido sem que recursos futuros exaurem-se. Existe uma troca entre crescimento rápido hoje e crescimento futuro; o crescimento rápido hoje exaure potencialmente o mercado endereçável fazendo impossível a sustentabilidade do produto por períodos mais longevos.”

Continue lendo este incrível artigo da Sequoia Capital (em inglês) »

“De forma geral, mercados de software estão 10 vezes maiores que 10-15 anos atrás. Isso se dá pela liquidez provida pela internet globalizada. Uma empresa que tinha algo em torno de $10-20MM USD de faturamento agora é uma empresa que chega a faturar $100MM USD, o que significa que ainda mais empresas podem valer $1Bi USD ou mais e que negócios SaaS possuem potencial de ultrapassar os $10bi USD [em valor de mercado].”

Continue lendo sobre a expansão do tamanho do mercado para SaaS (em inglês) »


Manda nud…feedbacks?

Queria saber a sua opinião sobre esse formato de e-mails. É só responder esse e-mail que eu recebo suas palavras diretamente. Pode ser bem sincero, ok?

Matt Montenegro

Colado no retrovisor do Vale do Silício

O Brasil está mais próximo do Vale do Silício do que parece e entender isso faz muita diferença.

Você não leu esse título errado. Eu realmente acredito que estamos muito mais perto do que imagina-se. Meu esforço é incentivar você a pensar da mesma forma.

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Confira os outros e-mails de abril. Eles tiveram mais de 7.200 leituras:

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O choque mais forte que tapa na cara

Ir ao Vale, andar de bike sobre a Golden Gate Bridge em San Francisco, contemplar aquele edifício gigantesco da Salesforce e seu apoteótico Roof Garden, fazer compras na Amazon Go, subir no mirante da Apple e ver seu Apple Park realmente dá um grande choque.

É por isso que praticamente todos que conhecem essa região voltam tão encantados.

Junto a isso, ainda temos eletrônicos custando de 2 a 4x menos, roupas por 20% do preço no Brasil, fastfoods custando 1/3 e a segurança de andar na rua de madrugada sem medo de encostarem a mão em você.

Acredito que é exatamente por essa coleção de motivos que praticamente todo mundo que vai a San Francisco e ao Vale voltam tão deslumbrados. E com boas razões!

Não sabendo que era impossível, foram lá e fizeram

Depois do choque, vem um certo inconformismo porque apesar das incontestáveis diferenças, acredite se quiser, estamos diminuindo velozmente o gap entre o Vale e o país.

Os unicórnios se multiplicam por aqui (salvo engano já passamos 16 e só ano passado foram 5).

Além dos IPOs se multiplicando, temos visto muitos pôneicórnios e diversas aquisições.

O “segmento” SaaS é alucinante. Tem muita startup crescendo muito com seus bons modelos de recorrência.

Estamos cada vez mais globais. Nunca vimos tantas startups expandindo e vendendo para o mundo todo.

O ambiente está cada vez mais maduro. Empreendedores que erraram duas, três vezes, acertando em cheio nos seus novos empreendimentos.

As aceleradoras estão muito mais experimentadas e finalmente apresentam os primeiros bons resultados.

Prédios inteiros dedicados ao desenvolvimento de startups. E em várias cidades diferentes, como Recife, Belo Horizonte e, claro, São Paulo.

Uma geração de “novos” empreendedores também estão colocando dinheiro em fundos e surgem cada vez mais investidores e empresas fazendo seus M&A’s.

Os eventos de grande porte crescem e amadurecem. Do Trakto Marketing Show em Maceió, passando pelo FIRE em BH, com ponte no CASE em SP fechando a conta com o RD Summit em Floripa. Isso porque eu não dou conta de citar todos, pois são muitos.

Algo diferente está acontecendo aqui e, pra mim, a próxima onda será um tsunami.

A principal diferença: dinheiro, muito dinheiro

A máquina do Vale do Silício é muito mais redonda e madura porque com os constantes exits (falei disso quando abordei os pôneicórnios), sempre tem dezenas de milhões de dólares correndo pela cidade. E isso realmente faz muita diferença.

Essa questão da circulação “fácil” do dinheiro é tão forte que investidores se engalfinham para conseguir investir em alguma startup do Y Combinator, por exemplo.

O Brasil ainda é um país fechado comercialmente, possui muita burocracia, impostos exorbitantes para investidores e outros problemas que acabam afastando essa circulação de dinheiro.

Ao mesmo tempo, é importante destacar que muita coisa está mudando por aqui.

Começou com a permissão de pequenas empresas e pessoas físicas poderem ofertar crédito no mercado, com a chegada do Open Banking, o MP da liberdade econômica, entre outras iniciativas positivas para vermos mais dinheiro (e mais barato) circular no mercado.

O Inova Simples também promete diminuir consideravelmente a burocracia para abrir e fechar empresas.

Eu pessoalmente acredito que quanto mais caminharmos para menos burocracia (regras do jogo mais simples e claras), menos impostos cobrados do jeito errado, o resultado será MUITO mais dinheiro injetado na economia país.

Olha a onda chegando!


Dicas do que fazer e onde visitar

Ao final desse bloco, deixei um link com um mapa cheio de sugestões. É só clicar e acessar. Antes disso, meu conselho é pra lá de simples: Sinta a cidade. Ande muito. Experimente as coisas, teste. Vivencie. Isso, pra mim, fez muita diferença.

Por exemplo, pedir algo de comer no Eatsa, por meio de um totem e a comida aparecer pronta num “lockerzinho”. Sem bípedes, só eu e a máquina. A mesma coisa com o CofeX, onde um braço robótico prepara e te serve o café.

Na AmazonGo, é possível entrar e sair sem caixas, sejam máquinas, sejam humanos.

Já na região do Vale do Silício, temos a B8ta cheia de hardwares “futurísticos” e o Computer History Museum. Se for ao Vale com tempo, experimente ambos.

Faz diferença usar Lift e perceber que ele tem coisas melhores que o Uber, conseguir andar de Skip ou JUMP por toda a cidade tranquilamente. Você pode alugar um Tesla pelo app GetAround e experimentar dirigir um você mesmo.

São lugares e experiências que te ajudam a “sentir” a cidade.

PS: Agora que terminei de escrever essas dicas, percebi que elas soam um pouco clichês. Mas vale a pena, pode confiar :)

Várias outras dicas: Eu fiz um mapa com um monte de dicas de lugares, startups, compras, etc. Só clicar aqui, beleza?

PS: Enquanto turista farofeiro de BH, recomendo o passeio (de JUMP mesmo) na Golden Gate e a visita a Alcatraz. Vale o tempo e o dinheiro.


Leituras recomendadas da semana

Li esse artigo sobre o futuro do mercado de patinetes. Tema importante que adianta algumas discussões a respeito aqui no Brasil.

Dizem que este é o melhor conselho que Paul Graham já deu no Y Combinator. Será?


Eu acredito que uma grande onda está chegando. Maior que qualquer uma que já vimos por aqui.

Encerro por aqui com minha pranchinha na mão preparado para surfar o tsunami que já vem dobrando a esquina!

Matt

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Monte logo num Poneicórnio

Nem sempre a startup dos seus sonhos vem em forma de unicórnio. As vezes é na forma de pônei mesmo. E sim, isso pode ser muito bom!

Quase todo empreendedor sonha em montar seu próprio unicórnio. O problema disso é que ele não percebe que, na maioria das vezes, o bichano passando selado do seu lado, na verdade, é um… pôneicórnio.

Spoiler: No próximo e-mail vou contar um pouco da minha viagem a San Francisco. Prepare-se para comentários, roteiros e tudo aquilo que for absolutamente fora do convencional.

Avisos curtíssimos da semana (pode pular se quiser)

Essa é a terceira newsletter da série. Caso ainda não tenha lido, deixe as anteriores abertas em alguma aba clicando em:

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Ok, o que é um pôneicórnio?

Como esse termo foi cunhado por mim (até onde sei), vou tentar explicá-lo e dividí-lo em dois caminhos mais comuns que esses pôneicórnios acabam seguindo:

Pôneicórnios são empresas de base tecnológica (startups) que, embora sejam escaláveis, lucrativas, exemplo e inspiração para o mercado, dificilmente alcançarão um valuation igual ou superior a U$1bi ou farão seu IPO algum dia.

Os pôneicórnios, igualmente, optam por dois caminhos diferentes e mais comuns entre eles:

  • O chamado lifestyle business, onde o objetivo do pôneicórnio é se manter ali com não mais que 50-100 funcionários, faturamento de 3 a “poucas” dezenas milhões por ano pelo máximo tempo possível (10, 20, 30 anos); ou

  • crescer o pônei ao máximo possível ao ponto de um grande candidato a unicórnio (ou um propriamente) apareça, faça uma proposta irrecusável e o absorva.

Daqui pra frente, vou focar mais nesse segundo caminho, tudo bem?

Pôneicórnios pela América

Nos corredores de San Francisco, dizem que vários pôneicórnios são vendidos “toda semana". Esses “bichinhos” saem por uma “bagatela” média de U$30 milhões.

Esses pôneicórnios são tão comuns e o seu valor é tão “corriqueiro” por lá que quase não vemos notícias de destaque a respeito deles.

Pra você ter uma idéia, dá uma olhada na evolução de vendas de startups SaaS no mercado americano e como isso pode fazer algum sentido pra você:

  • 2011: 45 vendas num valuation médio de U$85MM;

  • 2012: +14 vendas num valuation médio de U$7.7MM;

  • 2013: +20 vendas num valuation médio de U$10.3MM;

  • 2014: +31 vendas num valuation médio de U$21.6MM;

  • 2015: +39 vendas num valuation médio de U$5.9MM;

  • 2016: +62 vendas num valuation médio de U$16.1MM;

  • 2017: +43 vendas num valuation médio de U$22.5MM;

  • 2018: +44 vendas num valuation médio de U$43.6MM;

  • 2019: +9 vendas até o momento num valuation médio de U$52.5MM.

Fonte: TNW Index Top 50 Acquisitions in SaaS from 2011 to 2019

Os pôneicórnios tupiniquins

Num país de capital extremamente escasso, raras aparições de empresas na bolsa de valores, recém aparecimento de meia-dúzia de unicórnios no mercado, talvez seja uma boa aposta montar num pôneizinho, viu?

Startups no Brasil é um bicho muito diferente. Aqui, o normal é nascer com modelo de negócios bem definido, faturando desde cedo, caçando desesperadamente o breakeven caso contrário é caixão certo em cemitério de indigente.

Como a realidade do país não é ver startups fazendo IPO como nos EUA, por exemplo, os investidores, para ter algum alento, alguma luz no fim do túnel, precisam enxergar essas “compras e vendas” comendo solta por aqui.

E, ainda bem, elas estão rolando e crescendo! Yeah!

Temos vários exemplos bem recentes de 2019, como a TotalVoice pela Zenvia, Beved pela WIS Educação, Hiper pela Linx, SignUp pela Netshow. Em 2018 tivemos a Plug CRM adquirida pela Resultados Digitais e outras dezenas.

Se puxarmos no Dealbook.co, dá pra ver que as aquisições de pôneicórnios no Brasil vão bem e seguem crescendo.

Na minha opinião portanto, vale a pena pensar num negócio lucrativo, que para de pé e que, apesar de não ter aspirações para um IPO, poderá sim ser absorvido por outra startup ou empresa por um bom valor.

Pôneicórnios são uma realidade possível

Eu sei que tem uma glamurização enorme em cima de unicórnios, etc e tal, mas imagine se seu negócio fosse comprado aqui no Brasil mesmo por, sei lá, R$5-10 milhões?

Sendo bem honesto, eu tenho quase certeza que a maioria dos investidores anjo (e aceleradoras) brasileiros ficariam sorrindo de orelha a orelha se suas investidas fizessem mais saídas desse porte a deixá-lo no spray and pray pelo tão aguardado unicórnio pra pagar o investimento feito em todas as outras startups.

Pra fechar, meu intuito não é tirar seu apetite por unicórnios. Um pôneicórnio pode ser na verdade a sua porta de entrada para um grande unicórnio no futuro, já pensou?

Não tenha medo ou vergonha de montar num pônei. Ele tem seu charme e, ao que tudo indica, um ótimo valor.


Leitura da semana

Eu gostei muito de um longo artigo sobre Product Led Growth, escrito pelo Gabriel Costa, ex-RD e atual Marketing/Growth da Singu, do Tallis Gomes. Vale separar tempo para essa leitura e acompanhar o Gabriel no LinkedIn.

Evento para marcar na agenda

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Matt

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