Você vai cair do patinete

Entre quedas, entregas e furtos: O incrível universo da (micro)mobilidade com tempero brasileiro.

As calçadas estão lotadas de patinetes, bicicletas e até monociclos elétricos. A vertical de micromobilidade chegou rápido ao Brasil e ainda está longe do seu ápice.

Como ainda tem muito “patinete para passar debaixo dessa ponte”, separei alguns temas e muitas, muitas referências para você.

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O incrível mercado da micromobilidade

Os patinetes, bicicletas e afins são fantásticos para os primeiro ou últimos quilômetros do deslocamento diário. Isso é o que chamamos de micromobilidade.

É um meio de transporte rápido, prático, te ajuda a fugir do trânsito caótico das grandes capitais mundiais e, de quebra, produz uma concorrência a mais para os caducos modais de transporte dos quais tanto reclamamos.

Quando falamos de pequenas distâncias, esse tipo de modelo de transporte é realmente fantástico e praticamente imbatível.

Um “pulo” importante

Recentemente vimos um grande player nascer, crescer e logo ser comprado pelo Uber: a JUMP. As bicicletas elétricas laranjinhas (ou vermelhas) deram o que falar e, rapidamente, foram adquiridas por algo em torno de U$200 milhões.

Paralelamente e “atrasada”, a Lyft comprou a operação do GoBike, sistema de compartilhamento de bicicletas da Ford.

Enquanto as grandes dos aplicativos de mobilidade focaram primeiro nas bicicletas, um “enxame” de patinetes elétricos começou a surgir.

Lime ($2.4bi valuation, $310mi último investimento), Bird ($2bi valuation, $300mi de investimento), agora a Skip ($100mi de investimento em dezembro) e o número de novas empresas no ramo só cresce.

Além de todas essas gigantes, temos a Scoot correndo por fora e com um modelo um pouco diferente (que vai além dos patinetes), que é com motinhos mesmo (e patinetes em outras cidades fora do US).

Falando de Brasil, as mais relevantes são Yellow (R$30mi + $63mi em investimentos) e a Grin ($45mi em investimentos e que fundiu primeiro com a Ride), que inclusive se fundiram.

As importantes preocupações

Além dos preços que ainda são salgados, os patinetes, no seu início, sofreram muito com a maldade das pessoas. Você pode encontrar facilmente diversas fotos e reportagens sobre patinetes lançados ao mar (em BH, bikes no córrego), por exemplo.

Rapidamente, serviços como JUMP e Skip adicionaram um cadeado em seus equipamentos para você prender tanto o patinete quanto a bicicleta a um poste ou “estacionamento” próprio.

Agora, quem dera estes fossem os únicos desdobramentos dessa novidade do nosso dia-a-dia. Tem mais:

Ladrões sobre rodas

A criatividade da bandidagem impressiona. Até os patinetes entraram na jogada e agora também são usados para prática de furtos. Um problema sério que nos empurra para um caminho ruim de regulação.

O espírito de motoboy

Eu não tenho certeza se há parceria entre os entregadores da Rappi com a Grin. Digo isso porque vejo com alguma frequência entregadores usando patinetes para entregas.

Bem, aquele baú gigante nas costas, numa ciclovia (na contramão, na calçada, etc), com um bípede com espírito de motoboy só pode dar errado. Atropelamentos, empurrões, desequilíbrios e, bem, acidentes.

Atropeladores de velhinhas

Patinetes são largados em canteiros, cruzamentos, no meio das calçadas, em cima das guias para cegos, etc. É uma loucura.

Ok que o brasileiro tem um plus na falta de noção, mas isso também ocorre nas demais cidades ao redor do mundo como Austin (com o SXSW), que está aí para nos mostrar o quão maluca as coisas podem chegar.

Perdendo até os dentes

Como bons brasileiros que somos, adoramos andar na contramão, furar sinais, ultrapassar pela direita, etc.

Essa falta de educação e noção se reflete no uso dos patinetes e bicicletas e, por conta disso, as vítimas de atropelamento por e de patinetes cresceu como foguete.

Sem contar as quedas, perda de dentes e traumas na cabeça.

Isso nos joga para dentro de uma draga chamada política. E isso é MUITO negativo.

Burocracia? Quero!

A cidade de São Paulo, aquela que não aguenta ver uma burocracia e já quer ir logo aplicando em sua “cidade linda”, já se pronunciou com regras provisórias que passarão a valer em 15 dias. Algumas delas são:

  • Capacete obrigatório;

  • Não poder usar nas calçadas;

  • Uso apenas em ciclovias/ciclofaixas; ou

  • Circulação em vias de até 40km/h;

  • Limite de velocidade a 20km/h.

Um ponto alarmante é que as multas serão enviadas para as empresas e repassadas aos usuários. Um prato cheio para multas falsas, que além do capacete, são uma clara tentativa de inviabilizar o serviço na cidade.


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O momento que vivemos é bom, mas ainda é ruim ao mesmo tempo

Ao mesmo tempo que sou consumido de ansiedade pelos avanços incríveis, outros pontos ainda são preocupantes.

Uber e Lyft, as mais relevantes empresas de compartilhamento de transportes (excluindo a China) seguem sangrando, e muito.

A Lyft conseguiu a façanha de, apesar de dobrar o faturamento, quintuplicar as suas perdas (-$1.13bi). Ainda sim, seus executivos dizem que esse sangramento vai parar logo, apesar de adiantar que as perdas em 2019 serão ainda mais expressivas ಠ_ಠ

O IPO (de $120bi) esperado do Uber não ocorreu. Apesar de receber o título de um dos maiores IPOs de empresas de tecnologia da história, o resultado ficou a $38bi de distância do esperado.

Barbas de molho.

Sinal de alerta ligado

O mercado é incrível, o futuro deslumbrante. Ainda sim, algumas lições são muito duras. Na China, a gigante de compartilhamento de bicicletas amarelas Ofo enfrenta seríssimos problemas e o motivo é incrivelmente simples:

Esse mercado ainda não é comprovadamente viável do ponto de vista financeiro.

Isso significa que, apesar de excitante e dar sabor de futuro, as grandes empresas focadas em negócios compartilhados seguem sofrendo profundos sangramentos de caixa (em parte pela alta competitividade) e com isso uma dificuldade permanente para chegar perto de alguma lucratividade.

Apertem os cintos, o piloto sumiu

O mundo da mobilidade compartilhada vai sofrer um dos seus maiores impactos, até então, com o início do serviço autônomo da Tesla.

Anunciado pelo próprio Elon Musk, o objetivo é colocar na rua cerca de 1 milhão de Tesla já em 2020, ou seja, ano que vem. Tá muito perto, bicho.

Se os carros autônomos de Musk realmente funcionarem bem, eu não quero nem pensar no que vai acontecer com as centenas de milhares de motoristas de Uber, Lyft, Cabify, 99, etc; nos próximos 2-3 anos.

CAOS talvez seja uma palavra deveras pequena para descrever o que está para acontecer antes da próxima Copa do Mundo ¯\_(ツ)_/¯

Uma pitada extra de “pavor” no mesmo cenário é a própria Tesla com seus caminhões autônomos (a Mercedes também tem seus exemplares previstos para 2025). Ao menos, esses não fazem greve(!).

Muita coisa vai mudar em pouquíssimos anos. Melhor apertarmos os cintos.


Leituras da semana

“Crescimento sustentável e é o tipo de crescimento que pode ser mantido sem que recursos futuros exaurem-se. Existe uma troca entre crescimento rápido hoje e crescimento futuro; o crescimento rápido hoje exaure potencialmente o mercado endereçável fazendo impossível a sustentabilidade do produto por períodos mais longevos.”

Continue lendo este incrível artigo da Sequoia Capital (em inglês) »

“De forma geral, mercados de software estão 10 vezes maiores que 10-15 anos atrás. Isso se dá pela liquidez provida pela internet globalizada. Uma empresa que tinha algo em torno de $10-20MM USD de faturamento agora é uma empresa que chega a faturar $100MM USD, o que significa que ainda mais empresas podem valer $1Bi USD ou mais e que negócios SaaS possuem potencial de ultrapassar os $10bi USD [em valor de mercado].”

Continue lendo sobre a expansão do tamanho do mercado para SaaS (em inglês) »


Manda nud…feedbacks?

Queria saber a sua opinião sobre esse formato de e-mails. É só responder esse e-mail que eu recebo suas palavras diretamente. Pode ser bem sincero, ok?

Matt Montenegro