Você é o sapo na panela

Instagram, Twitter, Facebook, Google e Youtube aumentaram perigosamente o controle da internet.

Reclamar do fim dos likes parece meio tempestade no copo d’água, né? Não é bem assim. Os muitos movimentos recentes de várias redes sociais diferentes, como o Instagram, são muito preocupantes e é essa reflexão que quero trazer para você.

Instagram sucumbiu a pressão

Nas últimas horas, muito além dos likes, o Instagram expurgou de sua plataforma inúmeras contas de “memes”, alegando que elas infringiram seus “termos de uso”, mesmo sem explicar quais. Há usuários que perderam de 30 a 40 milhões de seguidores, fora as contas bloqueadas, nas últimas 24 horas.

É insano.

Sob o pretexto do “anti-bullying”, a liberdade de expressão agoniza nas grandes redes sociais, como podemos ver o novo controle de comentários do Instagram, que inclusive já rendeu ganchos de contas de comediantes.

Sobre o fim dos likes, na minha opinião, isso aumenta o controle do Instagram sobre sua audiência. Além disso, acaba obrigando os anunciantes a sair da timeline e ir para os Stories. Outro prejuízo imediato é o fim da verificação rápida de Likes x Seguidores que te permitia checar o pulso da autoridade/veracidade de cada perfil.

Lembre-se, quanto menor a transparência, maior o controle da rede sobre você. Isso significa que os “creators” também ficam ainda mais reféns de regras cinza e cartilhas de comportamento, temendo banimentos ou redução arbitrário de alcance, maculando a mensagem e sua liberdade.

Além disso, você mesmo deixa, sem sua vontade, de ver com a frequência que gostaria os perfis que você mesmo escolheu seguir. Esse problema não é exclusivo do Instagram. Ele perpassa pelo Twitter, entre outros. Falarei mais a respeito.

Facebook, o patinho feio que escancarou o caminho da censura na internet

Utilizando-se da plataforma “desinformação”, “fake news” e “discurso de ódio”, o Facebook seguiu caminho semelhante banindo dezenas de milhares de fanpages no Brasil e perfis de sua rede social nos últimos anos.

Só que o Facebook foi ainda mais longe. Ele interferiu diretamente na votação sobre o aborto na Irlanda, impedindo qualquer pessoa que era “pró-vida” de fazer anúncios a respeito.

Os maus lençóis do Facebook só pioram, afinal de contas, o sem-vergonha acertou um acordo de 5 bilhões de dólares para encerrar um processo contra suas continuas violações de privacidade.

Além de ouvir, ler e ceder a outras empresas (como Netflix e Spotify) as nossas conversas privadas no Messenger, permitir que dados fossem coletados pelo Cambridge Analytica e outros apps, usar nossas mensagens do Whatsapp para nos entregar ads também no Instagram, o Facebook também segue sua cruzada no chamado “politicamente correto”, banindo contas por posts de 10 anos atrás, por exemplo.

Vale lembrar também que um de seus co-fundadores foi importante apoiador da Hillary Clinton nas últimas eleições com módicos 20 milhões de dólares em doações de campanha.

Não é de se estranhar, portanto, tanto cerceamento de liberdade e, igualmente, declínio que o Facebook vem sofrendo nos últimos anos.

Twitter, o progressista assumido mais implacável de todos

Seguindo tendências semelhantes, o Twitter anunciou que diminuirá o alcance de publicações de políticos segundo seus próprios termos e avaliação.

Não obstante, o próprio Twitter tem a pior fama de bloqueios e perda de seguidores misteriosas, shadow ban, entre outras formas de cercear contas que não vão contra seus termos de uso, mas contra suas crenças e ideologias pessoais.

Descubra aqui se a sua ou uma conta sofreu Shadow Ban no Twitter ;)

Vale destacar que o CEO do Twitter, em entrevista para CNN, assumiu que possui viés de esquerda, apesar de negar que isso influencie as decisões da rede.

Porém, os próprios funcionários do Twitter que se dizem conservadores tem medo de expressar suas opiniões por conta da pressão ideológica que a empresa e funcionários progressistas impõe na empresa.

Além disso, a novidade do Twitter é que você poderá ocultar respostas a seus tweets. Uma espécie de moderação de respostas mesmo.

Assim, se por exemplo, você falar algo errado sobre um fato ou não quiser ser contradito, você mesmo poderá ocultar qualquer resposta, impedindo igualmente que outros seguidores vejam esses tweets moderados em especifico.

Youtube também contra o “discurso de ódio”

O Youtube, que também disse que está elevando sua “briga” contra o “discurso de ódio”, já é velho conhecido pelas desmonetizações, banimentos e polêmicas remoções de vídeos.

Um exemplo curioso ocorrido recentemente, sob o pretexto de apagar vídeos sobre o nazismo de sua rede, o Youtube, equivocadamente, apagou vídeos e documentários de história que eram utilizados para educar as pessoas a respeito do tema… por “engano”.

Google, ahh, o Google… faz igual ou pior

O Google mostra os resultados de busca que bem entender. Por mais que saibamos alguma coisa relevante sobre sua SERP, há muitos indícios de manipulação descarada.

Uma delas, clássica, se deu nas eleições Trump x Clinton, em 2016. Como podemos ver, o Google escondeu no seu auto-complete, de propósito, complementos de busca potencialmente negativos a imagem de Hillary Clinton (sim, ela de novo!), representante dos Democratas, o partido de esquerda americano.

Nas últimas semanas, uma nova e importante polêmica surgiu, onde uma funcionária do Google afirmou que a empresa está cuidando para que outra “situação Trump” (Sim! Ele de novo! Esses gringos não superam essas eleições passadas!!!) não aconteça novamente, dizendo abertamente que há e haverá influência direta da empresa nos seus resultados de busca.

Barbas de molho, afinal há eleições presidenciais lá e municipais aqui em 2020.

E os outros? Bem, os outros… Também

Posso passar o resto da minha vida mostrando outras “tendências” do tipo. A App Store da Apple, por exemplo, vem sendo continuamente acusada de manipular os resultados de busca dela para beneficiar seus próprios apps. Ela, claro, nega.

Você já está influenciado por essas mudanças

Quem controla o que você pode consumir (ver, ouvir, acompanhar, saber mais a respeito), controla, em parte significativa, a construção da sua opinião, gostos e, finalmente, seu comportamento.

Querendo ou não, já estamos sofrendo forçadamente as consequências da arbitrariedade crescente das redes sociais e mecanismos de busca.

Um de seus frutos é a grande polarização política nos EUA e no mundo que, por exemplo, teve seu início numa “falha” dos próprios algoritmos da timeline do Facebook.

Resumo da ópera: Em algum grau, seja qual ele for, você já é/está moldado, conformado e direcionado a pensar, falar e agir como essas redes desejam e impõem sutilmente (ou não). É inevitável e, quanto mais tempo você gasta nelas, maior o seu molde segundo os padrões deles.

Você é o sapo na panela

Eu gosto muito desse exemplo do sapo, não sei se você já ouviu falar. Pra mim, as redes sociais chegaram num ponto de controle das pessoas tão grande que podemos nos comparar a sapos dentro de uma panela de água colocada ao fogo para ferver.

O sapo fica lá de boa, mesmo com a água esquentando porque ele não consegue perceber que a temperatura da água está aumentando drasticamente. E o problema é justamente que essa água ferve até um ponto que o próprio sapo, sem sequer perceber… morre lá dentro.

Não se esqueça. Nós somos o sapo e a panela com água fervendo são as redes sociais. Posso te garantir que essa água já está bem quente ¯\_(ツ)_/¯

PS: Não faça esse experimento em casa.

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